Versos 7 e 8 do Dhammapada

7. Assim como uma tempestade deita abaixo uma árvore fraca, o mesmo sucede quando Mara vencer o homem que vive para a busca de prazeres, descontrolado nos seus sentidos, imoderado no comer, indolente, e disperso.


8. Assim como uma tempestade não abala uma montanha rochosa, da mesma forma Mara jamais controla o homem que vive a meditar sobre o que é impuro, que tem controle nos seus sentidos, moderado no comer, cheio de fé e esforço sincero.


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MARA é o antagonismo a Buda. MARA é a ilusão enquanto Buda é a representação da iluminação. É comum dizermos “o mundo de Mara” com o sentido de “o mundo de ilusões”. Mitologicamente, Mara é uma divindade de mau caráter que tenta distanciar os indivíduos do caminho da libertação. No budismo é a tentação, são as paixões.

Nestes versos, não se trata de um ser ou força exterior, de um demônio ou divindade do mal, mas sim a nossa própria mente com seus maus hábitos de preguiça, más intenções, ignorância e apego.

A fé no Budismo não deve ser simplesmente aceita sem análise e meditação. Siddhartha Gautama disse: “Não aceites aquilo que ouves relatar, não aceites a tradição, não aceites uma afirmação só porque ela está nos nossos livros, nem porque está de acordo com tua crença ou porque foi dita pelo teu mestre. Sê uma lâmpada para ti mesmo”.

Esta fé, quando desenvolvida, cresce na vivência e no cultivo das três jóias: o Buda, o Dharma e o Sangha. A palavra Buda significa “iluminado” e, quando no contexto de cultivo das três jóias, tem a significação de viver com o amor que um iluminado tem pela existência. Dharma é o conjunto dos ensinamentos do Buda histórico e consiste, neste contexto, em viver em desapego. O termo Sangha define a comunidade de pessoas que estuda e vivencia a filosofia budista.

O indivíduo que cultiva as três jóias, vivendo com amor (Buda), desapego (Dharma) e compaixão (Sangha); que é responsável em suas tarefas e com o cultivo sadio do corpo, desde sua alimentação até as práticas sexuais; que reflete sobre a diferença entre o que deseja e o que realmente precisa; Este indivíduo não se entrega às paixões que desnorteiam e entorpecem a alma, segue uma vida de retidão e é inabalável diante das vicissitudes da vida.

Ao livrar-se do apego às paixões e ilusões do mundo é encontrada a felicidade.

Quem tem uma falsa noção de otimismo e pensa que a vida é um mar de rosas sem espinhos, mantém-se focado no lado agradável da vida e ignora o lado desagradável. Como resultado, há o apego às coisas que são consideradas como "isto é meu" ou "isto é o meu eu". Quando essas coisas às quais há apego mudam ou se separam, há a lamentação que aquilo que é "meu" ou aquilo que é "o eu" está se destruindo e morrendo.

Quem olha para o lado desagradável da vida, os espinhos das rosas, os apegos são enfraquecidos. Quando isso acontece, a mudança e separação dos objetos de apego não trazem tanto sofrimento e pesar.

Esses dois versos revelam que é através do abandono do apego às coisas do mundo que encontramos a felicidade na vida. Deve-se pensar realisticamente. Refrear os sentidos é aprender a parar de reagir às circunstâncias agradáveis e desagradáveis com cobiça e aversão. Exercitar o controle de nossos hábitos alimentares e superar a preguiça são coisas necessárias para mantermos a prática de focar a atenção nas coisas certas e então clarificar os pensamentos de apegos às emoções.

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