Sobre refletir, experimentar e crer. Parte 2.

Continuando:

E aí vem a questão: o que leva as pessoas a não experimentarem?

A resposta é longa, mas vejamos alguns pontos:

- Existe a questão cultural, da pessoa que está aprendendo há séculos que deve ser um cordeiro pastorado; que alguém deve pegar em sua mão e lhe conduzir por todas as etapas do caminho.

- Outra questão é o medo: As palavras do Buda foram ditas por ele para que as pessoas despertassem. Mas, acontece muito das pessoas não quererem abandonar os seus pré-conceitos, as coisas que se enganam crer lhes pertencer ou estar sob sua posse.

Títulos, orgulho. Há pessoas que não querem abrir mão disso; Têm pessoas que não querem abrir mão disso, ou porque estão com os olhos vendados achando que são o que as ilusões do mundo dizem que elas são, ou porque tem medo; porque tem medo da verdade da vida. Me recordo sempre de uma conversa que tive certa vez com um amigo, na qual ele relatava que havia parado de ler um livro que abordava o pós-vida após se deparar com diversas informações que iam contra suas atuais crenças. Ele me disse: “Se aquilo tudo for verdade, prefiro não saber”. Pois é, meu amigo preferira permanecer na ilusão do que ver seus alicerces de crença (que ele mesmo construíra) balançarem.


Agora mais um pouco do porque é importante estudar e experimentar – e em experimentar também entra a reflexão, o raciocínio:

Estudando e refletindo e meditando, a gente consegue compreender além;

Mas isso também trás mais questões, não só respostas, tá?

Veja só: a palavra UNIVERSO, que a acaba usando quando falamos da interdependência: não existia o conceito que temos de universo na época do Buda. O que se usava era TEIA DE INDRA. NO HINDUISMO INDRA É o deus do Ar e das Estações, do Firmamento, senhor das nuvens, das chuvas e dos relâmpagos, dos quais tem o poder. Por sua vontade, caiem as chuvas que tornam a terra produtiva. É aquele "que governa por si próprio", o protetor dos guerreiros, "senhor da energia", para muitos mesmo o rei dos deuses.


A famosa frase budista “somos todos um”. O Buda nunca a disse. Ele não ensinou desse jeito, utilizando-se das palavras dessa maneira, esse “somos todos um”é uma herança do neoconfucionismo após o budismo passar pela China.


Por fim, se tudo é impermanente, seria a iluminação também impermanente? Ou pelo menos a maneira como entendemos a iluminação com base no que conseguimos experenciar?

Será que não temos que cultivar a iluminação para que nela permaneçamos?

Aí talvez eu derrube vocês, neste momento, dizendo isso e fazendo-os pensar que o caminho é ainda mais longo, né?

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