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O que se pode alcançar

Felizmente não é necessário que você se atenha à sublimação de todos os seus desejos para que consiga a felicidade (estado búdico); basta que transcenda o desejo das coisas possíveis e atingíveis.

Não lhe causa incomodo os males inevitáveis que atingem a todos, nem sequer os bens inatingíveis.

O que pode colocar empecilhos à sua felicidade são os males que você possa evitar e os bens que possa conseguir.

De onde você pode concluir que a sua felicidade se baseia na proporção entre o que você quer e o que você consegue.

Que tal memorizar isso para o resto de sua vida?

Todo sofrimento (dor) resulta da desproporção entre aquilo que você quer e o que você consegue.

Ora, essa proporção ou desproporção é determinada por sua vontade. Logo, você é o responsável por sua felicidade ou infelicidade.

Cada vez que um homem perde o controle sobre as circunstancias que se manifestam em sua vida (permitindo-se o desânimo, a ira, ou a perda da coragem), está permitindo à sua vontade determinar em sua mente uma desproporção.

A compreensão da impermanência ajuda muito a entender este ponto.

Tudo que lhe traz alegria, satisfação e prazer não traz alegria contínua, satisfação contínua, ou prazer contínuo; portanto apenas ilude sua mente e lhe impede a felicidade a menos que cultive o total desapego.

Todas as coisas boas e todas as alegrias momentâneas são emprestadas pelo acaso que as tomará de volta a qualquer momento.

A dor se baseia na ilusão do triunfo (posse) e na ilusão da desgraça (perda).

Tanto a posse quanto a perda são dois lados de uma mesma moeda e devem ser tratados como iguais.

Esse princípio foi magistralmente ilustrado numa estrofe da poesia "Se" de Rudyard Kipling que diz o seguinte: "Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires; tratar da mesma forma a esses dois impostores..."

Para que você não mergulhe no mar de Maya (ilusão e alienação) que subjuga a mente permitindo que nela se introduza a desproporção, aprenda a distinguir entre aquilo que depende de você e aquilo que não depende.

Se você meditar profundamente a esse respeito perceberá que a única coisa que depende de si é o seu pensamento, a sua vontade e as ações que você possa fazer a partir do seu pensamento e de sua vontade; tudo o mais não depende de você.

Mas não subestime a vontade nem suponha que é pouco o que depende de você.

A vontade é que permite a avaliação da proporção em sua mente, dando-lhe a responsabilidade final de ser feliz ou infeliz.

Assim sendo, quando está na posse daquilo que depende de você – o seu pensamento, a sua vontade e as ações que você pode fazer a partir de seu pensamento e de sua vontade – você pode se permitir a felicidade ou a infelicidade, a satisfação ou o descontentamento, o triunfo ou a desgraça.

Evidentemente a posse da vontade implica na aceitação da responsabilidade pessoal por sua própria felicidade.

A maioria das pessoas não está disposta a fazer o esforço de assumir suas responsabilidades diante do mundo e de si mesma e escolhe deixar ao mundo a decisão final sobre sua própria felicidade.

Fazem isso não por ser o mais racional, nem sequer por ser o mais fácil e sim porque se contentam com pouco - satisfazem-se em culpar os outros por seus próprios fracassos e em não ver suas responsabilidades diante da opção de serem felizes ou infelizes.

Tais pessoas cultivam cuidadosamente a alienação e costumam viver no passado ou no futuro visto que o presente lhes exige decisões e isso demanda vontade e consciência.

Viver no presente implica em se tornar consciente da impermanência como condição sine qua non de todas as coisas existentes.

Portanto, ao viver no presente, você está admitindo implicitamente que o que tem no aqui e agora é impermanente, não tendo existido em algum momento do passado e tendo sua existência prestes a cessar em determinado momento do futuro.

Se você consegue conviver com essa lucidez sem se apegar às coisas do aqui e agora está se permitindo sua felicidade permanente.

Se, ao contrário, você se apega às coisas e pessoas que lhe dão prazer, está permitindo a infelicidade, mesmo que as coisas e pessoas aparentemente lhe proporcionem prazer momentaneamente no aqui e agora.

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