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O Filho Abandonado

O Buda Siddhartha Gautama é uma figura reverenciada por sua iluminação e pelos seus ensinamentos que impactaram milhões de pessoas.

A história do budismo conta que Siddhartha Gautama deixou sua família para buscar a iluminação, deixando assim seu filho Rahula sem uma figura paterna.


Rahula era o único filho de Siddhartha Gautama e sua esposa, Yasodhara. É dito ainda que Siddhartha Gautama era um pai amoroso e dedicado a Rahula antes de deixar sua família para buscar a iluminação.


De acordo com os textos budistas, Rahula tinha apenas sete anos na época da partida do pai e podemos imaginar que essa partida repentina pode ter tido um impacto traumático no menino, impacto este profundo na vida e nos relacionamentos de Rahula. Crescer sem um pai pode ser um desafio para qualquer criança, e o mesmo certamente aconteceu com Rahula.


Segundo a literatura budista, Rahula foi criado por sua mãe e avó que, como exemplares seres, fizeram o que tantas outras mulheres vêm fazendo durante a história da humanidade: garantiram que a criança recebesse educação e fosse bem cuidada. Mas, certamente, a ausência de uma figura paterna pode ter afetado sua autoestima, relacionamentos com os outros e sua compreensão do mundo ao seu redor. Apesar disso, é relatado que, após a iluminação e início da senda de ensino tomada por seu pai, Rahula acabou se tornando um discípulo do Buda e desempenhou um papel importante na divulgação do budismo.


Rahula tornou-se um bikkhu (que chamamos hoje em dia de monge) aos 18 anos e esteve presente em muitos dos ensinamentos de seu pai. Diz-se que ele desempenhou um papel significativo na difusão do budismo, particularmente no Sri Lanka, onde é reverenciado como um santo. Logo, apesar dos desafios que enfrentou ao crescer sem a figura paterna e possíveis traumas e sentimentos de abandono, Rahula levou uma vida gratificante e impactante.


O até então príncipe Siddhartha Gautama, quando tomou a decisão de deixar sua esposa e filho, o fez obviamente com sacrifício; sacrifício este que levamos em consideração ao estudar o desapego budista e a compreensão da efemeridade e dos aspectos ilusórios deste mundo no qual estamos inseridos.

Porém, é relevante trazermos para reflexão o impacto dessa decisão em sua família e como eles lidaram com isso, bem como as consequências cármicas para Siddhartha Gautama.


De maneira alguma pretendo minimizar ou relativizar o sofrimento de Rahula, mas aponto neste momento do texto para Siddhartha: Quando partiu de seu palácio, Siddhartha Gautama não havia atingido a iluminação e se via defronte a questões existenciais, perturbado por dúvidas sobre o sofrimento e angustiado pela inevitabilidade da morte, assim como muitos de nós. Naquele momento ele ainda não era o Buda, não havia despertado.


Você pode se deparar neste momento de sua biografia com um pensamento que certamente visita muitas pessoas e que a mim acompanhou também por algum tempo: como escrevi acima, os pontos que atormentavam Siddhartha Gautama são comuns aos seres humanos, ele não era um ser desprivilegiado pela existência por senti-los, e abandonar a família causou grande impacto em todos.

Por outro lado, atentemos para a falta de utilidade em aplicar o pensamento budista para ações do Buda antes dele tornar-se Buda e fundamentá-los e aponta-los como resposta para questões que ele vivenciava e gerava antes de sua iluminação. Enfim, é inútil querer justificar as ações de Siddhartha Gautama antes dele despertar. Dessa maneira, apontemos para outro lado, que é também relevante: a magnitude de sua decisão. Imagine-se cortando todos os apegos para embarcar em uma busca por respostas. O desafio de se libertar do passado e abrir um novo caminho não é pouca coisa; Exige coragem, determinação e disposição para suportar o desconforto. A virtude está em, quando de frente a uma encruzilhada de escolhas, escolher a opção que beneficia mais pessoas.


Voltando a Rahula, o filho do Gautama Buda emergiu como um de seus discípulos e seguidores mais íntimos. Isso demonstra que Rahula, apesar dos reveses e dissabores pelos quais passou, foi capaz de compreender os ensinamentos do pai e resolver-se favoravelmente nos diversos campos e aspectos da vida.

Quanto a Siddhartha Gautama e seu processo cármico, a família compreender suas decisões e posteriormente compreender seus ensinamentos e seguirem-no sugerem que os efeitos adversos de suas ações anteriores foram de certa forma resgatados por seus atos agora como Buda.


A história de Rahula serve como um lembrete do impacto que os pais ou responsáveis podem ter nas vidas das crianças e da importância de estar presente em suas vidas, principalmente durante seus anos de formação.

O abandono é uma das experiências mais traumáticas que uma criança pode passar. Pode levar a sentimentos de rejeição, solidão e insegurança. No entanto, o budismo oferece uma maneira de ajudar as crianças que foram abandonadas.

Compaixão, atenção plena, resiliência e comportamento ético são os pilares dos ensinamentos budistas e essas crianças podem se beneficiar muito com esses ensinamentos, pois as capacitam a enfrentar situações desafiadoras e descobrir seu propósito e lugar no mundo.

Acompanhe este BLOG. O próximo texto, a ser publicado nos próximos dias, será justamente sobre como o budismo pode ajudar nestas questões.


Fique na serenidade do Buda.



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